"Rádio Juventude Católica"

Clique aqui para editar.

Clique aqui para editar.

Felizardos

11 JAN 2016
11 de Janeiro de 2016

Nestes tempos em que tantos “se grudam” aos aparelhos de TV para assistir a campeonatos do que se possa imaginar – música, voz, culinária, moda, informática, games e por aí vai –, penso em propor um tipo meio desconcertante de campeões: os da misericórdia. Não somente os que a praticaram – os santos – como principalmente os que a recebem. Esses certamente são mais próximos da maioria de nós.

O campeão dos campeões, na categoria masculina no Novo Testamento, é, sem dúvida, Dimas, o Ladrão, do qual já falamos. Roubou o céu com uma só frase, depois de uma vida inteira de roubos e homicídios. É o protótipo da misericórdia de Deus, inteiramente gratuita, invencível em generosidade. São Dimas, o Bom Ladrão – que se tornou bom por pura misericórdia de Jesus, crucificado ao seu lado –, é tão santo quanto qualquer outro santo e foi o único a ser canonizado pelo próprio Crucificado. Realmente imbatível esse Dimas!

Na categoria feminina, seria difícil dizer quem, no Novo Testamento, se equipararia a São Dimas. Há, naturalmente, Nossa Senhora, de quem falaremos oportunamente, mas ela, assim como São João Batista, é hors concours: com eles não há como concorrer. Impressiona-me muito a mulher de João 8, pega em flagrante, adulterando. Não é difícil imaginar a cena: semidespida ou, talvez, enrolada em lençol, ela é arrastada à rua para julgamento público. O veredicto, naquela época, estava entre os mais fáceis de discernir: apedrejamento público para pecado público, em especial quando se tratava de adultério e, ainda por cima, pego em flagrante.

Enquanto a mulher é arrastada, provavelmente pelos cabelos descobertos, seu companheiro, igualmente adúltero, esgueira-se nas sombras e foge da cena. Homens adúlteros não eram punidos na Israel daquela época. Os outros homens, certamente aos gritos, exigiam justiça: quem erra, deve ser punido. Olho por olho, dente por dente! Completa a cena a oportunidade única de testar o Nazareno chamado de Rabi, que curava em dias de sábado, “contrariando a Lei”. O que diria ele diante do descumprimento evidente de uma das leis mais sagradas de Israel, a que punia o adultério?

Diante do Rabi, os homens apresentam a mulher: “Esta mulher foi pega em flagrante adultério! Nossa Lei manda apedrejá-la. E tu, o que dizes?”.

Pobres juízes sem compaixão, escravos da letra, cegos pela sede de justiça! Não contavam com a misericórdia do Mestre que mudaria totalmente o jogo. Aos juízes inclementes, o Filho de Deus faz perceber que só quem nunca pecou tem o direito de julgar: “Atire a primeira pedra quem estiver sem pecado.”. Ao soltarem as pedras e se afastarem, um a um, com olhares grudados ao chão, puderam ouvir, ainda, a voz na qual a misericórdia triunfava em frase curta, translúcida, de eco desconcertante: “Eu não te condeno!”.  A Misericórdia havia libertado e justificado a mulher. Simples assim!

Maria Emmir Oquendo Nogueira

Cofundadora da Comunidade Católica Shalom

em “Entrelinhas” da Revista Shalom Maná
TT @emmiroquendo
Facebook/ mariaemmirnogueira
Coluna da Emmir – www.comshalom.org

Voltar